É um fenómeno da actualidade que, se pararmos para pensar, pode explicar muita coisa.
Em primeiro lugar a falta de emprego latente em camadas mais jovens e formadas da sociedade, o qual representa já 40% da população nacional.
Estes, coitados mas interessados, na ausência de emprego ou de alguma actividade que lhes ocupe o tempo, e de maneira a não serem apelidados de inúteis, voltam à faculdade. Seja para fazer um mestrado, uma pós-graduação ou o que também há por aí agora a “bom e alto preço”, uma formação executivas.
Assim pelo menos, acuando do seu regresso ao mundo empresarial ou pelo menos à próxima oportunidade de entrevista, sempre demonstram mais interesse, inteligência e preocupação do que alguém que não andou a fazer nada. Bem, há quem opte por gastar o seu dinheiro/indemnização ou o dos “paizinhos” numa longa e “sem data de regresso” viagem à volta do mundo ou pelo menos à volta de um mundo desconhecido e contrário ao que conhecem “a Europa capitalista”.
Curiosamente, por vezes estes vêm, não digo, mais inteligentes, mas pelos menos mais preenchidos e vigorosos para reintegrar o mundo do desemprego e do recibo verde. Pelo menos mais do que muitos outros que ficaram por cá. Alguns não voltam mesmo. Perdido por cem, perdido por mil. Alguns casam e têm filhos, outros convertem-se em religiões locais. No entanto, há sempre os que voltam porque percebem que afinal a Europa não e assim tão má, há segurança, há sistema de saúde, há civilização há um clima equilibrado e há um cenário religioso pacífico.
O saber não ocupa lugar…
Mas há quem “volte à escola” porque tem sede de aprender e a esta não há muita volta a dar. Aprender, aprender mais, ser melhor, ser mais completo. E a verdade é que a época em que vivemos, boa ou má, dependendo de para onde e com que óculos olhamos, nos exige que saibamos mais. Vivemos numa época onde é imperativo percebermos um pouco de todas as áreas. Não significa que deveríamos fazer um mestrado em todas as áreas mas, parece-me interessante e útil aprendermos e sabermos estar em dois ângulos, no ângulo capitalista e no ângulo social, que ao fim ao cabo são os que estão em combate aberto, quer no mundo desenvolvido, quer no mundo em desenvolvimento e ascensão, em pleno séc XXI.
Se por um lado somos globais, capitalistas, altamente dependentes do capital para vivermos e sermos felizes, há toda uma sociedade equilibrada, todo um conjunto de valores de indivíduo, de família, de sociedade que está a ser posto em causa. É por isso imperativo que se forme uma sociedade culta, que saiba, que leia, que estude, que se torne mais interessante e que fundamentalmente crie opinião, não só enfrentar, mas para essencialmente se saber defender em qualquer situação.
E aprender nunca fez mal a ninguém, apenas e só aqueles que acham que tudo sabem e que já nada podem fazer para mudar o mundo!

