Bendita a nossa forma de estar na vida e olhar para os problemas como oportunidades.
Esta geração que chamam ou chamavam de rasca ser tão interessante e ambiciosa que enfrenta a vida e deixa para trás os que mais gosta para andar para a frente, querer ser alguém, querer ser melhor.
E olhando para os exemplos de casa e de amigos que encaram a emigração como uma oportunidade dura e realista com olhos brilhantes de lágrimas mas com um lenço branco de esperança que ajudará a secar todas as lágrimas com a vontade e a fé de crescer e ser mais do que só isto. Infelizmente esse caminho é cada vez mais difícil de percorrer no nosso país. É difícil, é muito difícil ir sem saber quando se volta. E ainda mais difícil é regressar com a certeza que se tem que voltar porque não se escutam alternativas de melhoria.
Quem governa e quem fala, não tem palavras de esperança, provavelmente porque os seus filhos e afilhados estão numa grande empresa pública ou privada ou até mesmo como assessores de alguma instituição descabida da sua existência com um bom salário, sem a necessidade de escalar a vida e fazer contas antes de algum passo que possa ser mal dado e irreversível.
Qual é a alternativa?
Bem dizia alguém “emigrem”. Pois bem, vou emigrar. Vou contribuir para as estatísticas vergonhosas.
Mas será que quando quiser voltar tenho cá o meu lugar? Estamos a criar jovens capazes nas melhores faculdades do mundo, mas frustrados, ansiosos que, caso, por sorte tenham a possibilidade de pisar o mundo empresarial português possam ter a função tão interessante de tirar fotocópias, colar os olhos no excel ou até mesmo escolher a decoração para a casa do chefe. É vergonhoso as oportunidades que nos são apresentadas. É vergonhoso o que, malta licenciada, criativa, com energia, interessante, tem que enfrentar. É curioso chegar lá e aprender o significado de incompetência, falta de liderança, gestão pobre e muitas vezes desrespeito. “Mas estou a ganhar experiência e ainda sou muito novo”. São poucas as empresas que oferecem a possibilidade de crescer, de criar e de construir.
Mas porra, o que andei eu a fazer na faculdade estes 5 anos? Deixem-me criar, fazer, “ensinar”. Porque estamos a deixar fugir o que temos de bom? Porque não somos eficientes e aproveitamos o que temos de bom? Exportemos o vinho, o azeite, os sapatos, a cortiça, mas não exportemos mão-de-obra de excelência que temos por cá e que todos os dias desaparece. Ou então… exportemos também o que temos mau. Emigrem os que já aprenderam, os que já se acostumaram. Emigrem os maus líderes, emigrem os maus governantes, emigrem os maus planos de negócio, emigrem os que levaram o país ao buraco.
Sejamos inteligentes e talvez assim a coisa não fique tão má.

