Somos livres?

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Somos quando falamos em silêncio. Toda a gente é livre em silêncio, nem que seja ser livre de não dar a sua opinião.

Por vezes, por falta de coragem, por outras, por ausência de conhecimento completo dos acontecimentos  mas principalmente por interferir com a liberdade do receptor. Mesmo a cantar não somos livres porque as palavras são barreiras que formam opiniões, teorias, pensamentos, gritos de felicidade ou de desespero. A pintar também não somos livres porque as imagens são sinais e representações do que por palavras não conseguimos dizer ou representar com mais cor e em formatos belos. A dançar não somos livres porque os gestos e as expressões valem mais que mil palavras.  Somos sim livres no que nos diferencia dos outros seres, a pensar. No entanto, às vezes perdemo-la ao fazê-lo. Podemos pensar em todas as direções, com palavras soltas, arrumadas, com manchas de tinta em formas geométricas ou abstractas, cantadas, gritadas ou num sussurro para não se conseguir ouvir bem, nem mesmos nós próprios e assim despertar uma atitude mais concentrada mas menos livre. Em movimento ou sentado com o cotovelo sobre a mesa, em modo de cansaço ou admiração. Pensar sobre tudo, ordenar as ideias e retirar conclusões, que embora algo precipitadas, é ao seu encontro que queremos sempre chegar, as respostas. Seremos mesmo livres a pensar? Dificilmente seremos porque os nossos pensamentos têm o seu lugar no tempo e o tempo não pára e oferece ao segundo presente, minutos e horas passadas, que à luz do hoje ou de um futuro breve ou imortal se transformam em imagens, gestos, músicas, que misturados com preconceitos, estórias, crenças, factos ou meras opiniões, nos afastam da liberdade no seu estado mais puro. O estado zero da nossa existência. Uma tela em branco, que para uns pode ser tudo mas para outros pode nada ser. Pode ser o início ou o fim. O barulho ou o silêncio. O conforto ou a ansiedade. Uma nota só, um gesto ou um som. Talvez por tudo isto a liberdade possa ter tantos significados, mas estes encerram-se num só. A liberdade de um que começa onde acaba a do outro.  Não é nada e é tudo à luz de não sermos um só mas sim um todo. E é por isso que nem mesmo a pensar poderemos ser livres. Livre-se dos outros e de si próprio de vez em quando para experimentar a liberdade. Tudo o resto estará à sua espera. Admire. Vai ver que é bom!

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