
Os apaixonados só não conseguem viver sem AMOR.
E isto leva-me a um súbito desejo da prática do desapego sem sequer ter alguma ideia do que isso possa ser na sua integridade e integralidade. Vontade não me falta e como irei brevemente mudar de casa, talvez seja uma oportunidade para “a minha primeira vez”. Assusta-me mas ao mesmo tempo dá-me uma certa confiança o facto de pensar que conseguiria ser feliz com 1/3 do que tenho. Na verdade precisamos pouco mais de 1/4 para bem dormir, o resto é acessório.
Mas afinal a idade não nos leva os sonhos? Até agora não me levou nada. Ao mesmo tempo, pergunto-me quantos por aí há já com “muita experiência nas primaveras” que não se cansam de deixar de sonhar e pouco têm? Pouco é dizer pouco…muitas vezes, quase nada.
Nascemos e crescemos a querer ter, por vezes porque é preciso, na sua maioria só porque sim e as restantes porque não queremos deixar de ter. Inveja? Cada vez mais me convenço que sim. Vamos tendo, comprando, comparando, partilhando o que temos. E que marcas isto nos deixa? Pequenas marcas porque só nos marca o que é forte. O que se sente é o que marca a gente!
Não é aquilo, são aqueles. É muito mais o como do que o quê. Porque ter perde graça quando tudo se pode ter. Porque o não poder ter é bem mais desafiante e desperta as nossas sensações, criatividade e imaginação.
É bonito conseguir ser feliz sem ter. É bonito ser sem querer ter. Ofereça, partilhe. Mesmo o pouco que tenha para dar. Ajude-os a sonhar e ajude-se a sentir o que quem não tem nunca sentiu. Ajude-os a sonhar porque os sonhos não se podem comprar, só sentir.
E só quem sente abre a mente para apagar o medo de um dia não ter.
