Parece que ultimamente uma onda de transparência invade o tecido empresarial, político e social. Queremos todos dizer a verdade, muitas vezes sem saber como, sobre o que se passa, no emprego, na nosso meio e até mesmo na nossa vida.
Somos nós, alguns políticos, comentadores, pessoas influentes, médicos, empresas, advogados, comerciantes, representantes da igreja. É como que um basta! “Já não há boas margens” e o “Genuíno is the new sexy”! Deixemos de parte as misturas, porque o puro é melhor, mais saudável e bate mais, na mente e no coração da gente!
As redes sociais ofereceram-nos a possibilidade de termos sempre uma plateia enorme para quem podemos falar sobre tudo, do mais sentido ao mais opinativo. Mesmo que ninguém nos ouça, temos sempre, 24/7, a total liberdade de nos exprimirmos. Acaba por ser uma forma rápida e simples de comunicarmos e nos expressarmos para um leque alargado de pessoas que julgamos nos estarem a ouvir.
Como em tudo há o pouco, o muito e o bom senso. Isto quer dizer que para alguns tudo continua igual, para outros existe como que uma liberdade de expressão moderada e para uma grande maioria, a desenfreada partilha de momentos, sentimentos, estados de espírito, na amizade, no amor, na família e até consigo próprio.
E será que se fala verdade? Ou apenas existe uma procura por ela? Talvez em alguns casos uma construção de uma falsa verdade.
A verdade é que existe muita gente a analisar tudo o que se diz , seja ela verdade ou não. E a verdade é que mesmo mentindo vai-se, sem querer, dizendo a verdade. Está escrito, gravado e é constantemente analisado.
É um palco enorme, teatro para alguns, real life para outros. É uma cidade virtual onde todos nos movemos, tomamos decisões, emitimos opiniões, tomamos partido. Fazemos compras, criamos negócios. Recomeçamos amizades, resolvemos discussões, casamos, mudamos de emprego. Choramos, rimos, viajamos e há até quem faça muito mais coisas. Celebramos sozinhos ou em grupo. Matamos saudades. Partilhamos gostos e desgostos. Surpreendemos. Conseguimos passar por todos os estados emocionais e racionais do nosso ser sem sairmos do lugar.
Posto isto, a pergunta que se coloca é – Fica mais fácil de dizer a verdade ou já não há forma de a evitarmos?
A verdade é o que é nela própria. Algo que nos aparece como qualidade do que é verdadeiro, realidade, a coisa certa que normalmente pressupõe a boa-fé e a sinceridade.
A verdade é mais visível e por isso mais necessária quanto maior o acesso à informação. Num mundo em que a informação passa a estar acessível a uma fatia importante da população mundial, há cada vez uma maior necessidade de dizer a verdade ou de construí-la como tal. A importância da comunicação e da publicidade na construção da mesma é clara, evidente e é negócio.
Os dados mostram os factos (felizmente ou infelizmente). Aproximadamente 40% da população mundial tem hoje acesso à internet comparado com 1% em 1995. (http://www.internetlivestats.com/internet-users/).
Será esta a razão pela qual parece que todos querem dizer a verdade ou comunicar da forma mais verdadeira possível?
Uma verdade é certa, verdade ou não verdade, todo o cuidado é pouco quando é de fácil acesso a tanta gente (modernices). O que está escrito está gravado e aos olhos de 40% da população mundial.
Por isso digo…Se estamos cansados da mentira temos hoje uma excelente oportunidade para praticar a verdade.
