Pela estrada fora

Pela estrada fora, a vida mostra-nos que este é o melhor caminho a seguir no presente da nossa viagem por cá.

Pela estrada fora, partimos.

Partimos com todos os sentidos que até hoje pensamos não existirem. Uma despedida. De cabeça erguida, partimos a loiça toda ao perceber que somos a única pessoa que decide qual o caminho melhor para nós próprios. Qual o nosso lar. E que não é preciso esforço para AMAR.

Pela estrada fora, tentamos olhar em frente.

Não só olhar, mas ver. Ver o conforto no desconfortável, o certo no incerto que com tanta certeza pensávamos não existir, não ser possível sentir. E logo, logo, estamos num admirável mundo novo que se nos apresenta. Não bate à porta. Entra.

Pela estrada fora, reflectimos.

Reflectimos, apanhando as pedras do caminho em jeito de aprender. Querer fazer de novo com vontade de fazer melhor. Renascer. Zerar a vida. Olhar o hoje, guardar o ontem (todas as pedras) e estar atento ao incerto que o amanhã nos poderá trazer. Afastar o negativo e potenciar o positivo. Ser mais exigente. Ter fé. Sermos amigos da nossa mente e sentir tudo intensamente. Todo um mundo novo, admirável, curioso, presente.

Pela estrada fora, vamos sentindo.

Sentindo que dar e receber é o nosso mais importante e sincero papel por cá nesta viagem. E como é bom e altamente gratificante. Sentir o próximo a querer estar próximo. E incrível é perceber que desta forma nos aproximamos de nós próprios também. Um sentimento fantástico. Sentir que não tem que ser sempre claro. Por vezes o sol eclipsa mas logo logo volta a clarear. É uma dança. É saber voar sem avião e entender a sinceridade de um não. É saber ser simples a viver. Saber receber. Saber fazer e ter humildade para aprender. Não basta só ser.

Pela estrada fora, queremos ouvir respostas.

Será este um bem ou um mal necessário? Serão respostas ao incerto ou alimento para as nossas expectativas? Não esquecer que a existência humana é sempre um projeto. Um projecto que vamos vivendo, muitas vezes sem respostas e com cada vez mais perguntas. Perguntas que ninguém saberá responder nem mesmo na hora de morrer.

Pela estrada fora, deixamos de olhar para trás.

Deixamos de olhar para trás para não correr o risco de perder o que presente insiste em nos mostrar todos os dias. Porque o realmente importante está muitas vezes à nossa frente e o coração começa então a aceitar o que a mente já há muito tempo percebeu. E quem disse que o final feliz não estará num recomeço. E vamos devagar para não cair, em jeito de apreciar intensamente cada presente que começa todos os dias.

Pela estrada fora, transformamos anos perdidos em aprendizagens.

Porque nunca é tarde para começar a viver novamente. Para nos apaixonarmos loucamente e ter todas as vontades de repente. O tempo não pára mas se pudermos continuar a viagem mais felizes porque não? Olhar para trás apenas só para apreciar o que fizemos bem e olhar para o que não foi bem feito e construir agora de novo com a lição estudada. Outras novas se nos apresentarão porque se a vida nos parasse de surpreender perdia toda a graça. Uma certeza temos, ou melhor, duas. A morte e a inexistência do perfeito. Existe sim a busca da perfeição até à morte, cada um com o seu entendimento do que “ela” possa significar e cada um a seu ritmo. Porque há quem queira viver rápido e solitário como uma forma de lá chegar mais depressa. Outros apreciam ir devagar, acompanhados e chegar mais longe. Olhar o todo. Cumprir todos os dias um bocadinho, uns dias mais outros dias menos. Não perder o foco na nossa escolha, ser feliz, e deixar o destino nos apresentar o resultado. E se nunca soubermos o resultado final, aceitar que era assim, que tinha que ser.

Pela estrada fora, vamos agradecendo.

Agradecer todos os dias a oportunidade de cá estarmos. Estar grato. Agradecer por um dia termos sido o espermatozóide sortudo, que no meio de milhares, conseguiu vencer e tornar-se ser. Parece-me uma boa razão para pelo menos sorrir todos os dias quando acordamos. Agradecer a Deus ou a outra qualquer crença espiritual por nos alimentar a alma e o espírito em forma de fé e esperança. Agradecer aos que continuam a estar na nossa vida e a quem a falta de tempo não impede uns minutos de atenção e que constroem a nossa felicidade todos os dias, aquela felicidade que não foge porque não tem medo, enfrenta. Agradecer a quem se cruza no nosso caminho e de forma gratuita nos entrega bondade, sorrisos e energia. E acima de tudo agradecer a nós próprios por continuarmos a ter força para estarmos atentos e continuarmos a confiar na vida, a acreditar que o melhor está sempre para vir. Basta sorrir e usar a sorte com inteligência.

Pela estrada fora, baixamos as expectativas e enfrentamos o medo.

Porque as mais belas histórias, têm começo, medo e sim. As que têm não ou fim tiveram a beleza que permanece agora no passado. As que não tem medo, não nos fazem viver. Porque o medo faz parte do novo, do louco e só os loucos cheiram a vida. As expectativas são a principal causa da desilusão. Em vez de esperar, sentir só. Sentir cada coisa que fazemos, dizemos, comemos, tocamos, cheiramos, observamos.

Pela estrada fora, ficamos mais exigentes

Exigentes connosco próprios e com quem nos rodeia. Não deixamos qualquer pessoa se aproximar. Só aqueles que vêm por amor, seja ele de qualquer tipo. Desde que seja amor. Amor no sentido de querer fazer o bem, chegar com o coração aberto, com bondade, carinho e afecto. Com respeito, sinceridade e calor. Gratuito, sem expectativa. Com energia positiva. Com ensinamentos, palavras e bons sentimentos. Só quem nos oferece tudo isto terá lugar na nossa vida e espaço para nela permanecer. Percebemos que afinal existe, mesmo que seja para não ficar. O que ficará será bom para sempre no período que foi. É será lembrado como tal.

Pela estrada fora, existimos logo pensamos

Pensamos se é o caminho certo ou só até mesmo se existe certo ou errado. Existirá? E ficamos só a pensar…e deveremos pensar? Depende…cada um de nós o dirá.

Pela estrada fora, confiamos mais em nós.

Ganhamos forças que vêm de dentro e de fora. Talvez porque acreditamos que tudo vem com um propósito e que acreditar é a melhor forma de viver. Voltamos a confiar que somos capazes. Que cair faz parte. Nada se perde, tudo se ganha, umas vezes mais, outras menos, umas vezes umas coisas, outras vezes outras coisas, que aparentemente não têm valor no curto prazo mas um potencial gigante na vida toda.

Pela estrada fora, vamos com mais paciência.

E esta é uma grande virtude do ser humano. Se Deus nos fez seres pensantes, pensemos. Usemos essa capacidade de ver, observar, sentir e pensar em nós e nos outros. A capacidade de entender tudo e não só o que queremos. Muitas vezes vemos o que queremos ver. Mas de que vale isso? Não estamos sozinhos.

Pela estrada fora, vamos tropeçando

Os buracos maiores prevêm maiores quedas mas também um alerta maior. Escutando mais a razão sabemos que não vamos em vão. E porque não escutar a razão e não somente quando se ouve um não.

Pela estrada fora, perdemos o controlo e perdemos a razão

Não controlamos a emoção sabendo que nunca a vamos controlar totalmente mas com a certeza que um dia a vamos controlar melhor porque essa é sem dúvida a forma mais inteligente e sã de caminhar.

Pela estrada fora, sentimos o medo

O medo que simplesmente existe porque o criamos. Criamos porque nos desafiamos a nós próprios. Procuramos o desafio e o desconfortável para sairmos vencedores. Porque aprender é uma constante na vida e a melhor forma de viver é viver apreendendo a lidar com ele.

Pela estrada fora, damos um passo a trás e dois a frente

Devagar é uma forma de caminhar consciente. Ninguém consegue caminhar para a frente sem olhar para trás, nem que seja para corrigir o que não foi bem feito mas que agora, se valer a pena e só mesmo se valer, será. Depende da força do nosso consciente. E ser consciente é a melhor qualidade que o ser humano pode ter para viver em tranquilidade.

Pela estrada fora, equilibramo-nos

Tentamos passar o peso da cabeça para o coração. Amar é o exercício perfeito porque o verdadeiro amor deve fluir sem pensar. Separamos melhor os pensamentos e deixamo-nos oxigenar pela leveza do coração. Porque o cérebro só por ele consome 25% do nosso oxigénio e representa 2% do nosso peso ao contrário do coração que somente pesa entre 280 a 340gr. É leve e dá-nos o ar que o cérebro insiste em retirar, dá-nos Vida. Equilibra. Dá-nos a tranquilidade e satisfação necessárias para uma caminhada sem cansaço. O equilíbrio é o caminho para a Paz.

Pela estrada fora, apercebemo-nos que nada é igual e que tudo é imperfeito

Tal como na natureza. E a perfeição reside na aceitação do que nos diferencia. O nosso caminho é o aperfeiçoamento, a constante melhoria. Sermos um bocadinho melhores todos os dias.

Pela estrada fora, às vezes há luz, outras vezes só há penumbra

A luz da lua que nos mostra que existem vários caminhos. A sombra da vida de alguém, a nossa sombra ou a luz incerta ao fundo.

A melhor? Nenhuma será melhor, senão e só será melhor a escolha que fizermos para nos próprios. Segurança não existe. Existe só e apenas o que sentimos ao enfrentarmos um ou outro caminho. Cada um deles nos vai trazer as sensações que eles próprios nos transmitirem. A melhor, ou melhor, uma das formas existentes é desligar a música, desligar o pensamento e sentir só o que cada caminho nos faz sentir. Arrepia? Magoa? A escolha é sua e só de cada um de nós. O arrepio a que sabe? É doce ou amargo? É pontual ou efemero? É pequeno ou é grande? É crescente e constante? Ou morre muitas vezes e ressuscita com o toque? É permanente? Assalta-nos a alma e rouba tudo o que lá há? Ou vai entrando envergonhado? Assusta ou alivia? Tem cara ou sonho?

Pela estrada fora, perdemo-nos no caminho. Perdemos o rumo.

Baixamos as velas e deixamos o vento nos levar. É perigoso perder o rumo mas mais difícil ainda é não nos darmos essa liberdade por umas horas, dias ou meses. Afinal o que perdemos quando perdemos o rumo? Será que não “devemos” mesmos andar à deriva? Na deriva quem sabe encontraremos um melhor rumo. Give yourself the freedom to go with the wind without expect anything in return! Começar por dar, pode ser o novo rumo.

Pela estrada fora, regressamos à estrada e está na hora de acelerar a fundo porque parar é morrer e não devemos desvalorizar a oportunidade e liberdade que Deus nos deu de poder fazer o nosso caminho.

E o caminho faz-se caminhando mas quando for preciso correr, aí, acelerar o passo pode e deve ser a nossa escolha. Sem medo, sem desculpas e se for melhor sozinho, caminhemos sós.

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