
“Olá menina da capeline”, “Olá menina da voz fininha”
Entre um olá e outro aos alunos do Chapitô, vai pintando em voz alta o quadro da sua vida. Arquitecto de formação e pintor de vocação.
Nasceu em Lisboa numa família de artistas, onde viveu até aos 15 anos. Esteve um ano em Madrid, foi menino de Ipanema durante 11 anos, no Brasil, onde frequentou a Faculdade de Arquitectura de Santa Úrsula, e regressou a Lisboa, à terra da “triste viuvinha”, onde vive há mais de vinte anos. Pedro Homem de Mello, relações públicas do Chapitô à mesa, considera-se um homem do mundo, feliz e com uma vida cheia de histórias.
A sua vida é cheia de cor e é na natureza que se inspira desde pequeno. Até há poucos anos, a natureza que pinta nas suas telas conseguia pagar as despesas do dia-a-dia, mas “com a crise, tive de arranjar um extra para equilibrar o orçamento”.
Em 1974 a família viu-se obrigada a emigrar para o Brasil. O seu pai, João Pedro Homem de Mello, era presidente do concelho de administração da maior holding brasileira, a Brascar, formada por 200 companhias. Na família numerosa, encontram-se muitos artistas portugueses de renome. Foi o seu primo Pedro quem escreveu os conhecidos poemas cantados por Amália Rodrigues, como o Povo Que Lavas no Rio, A Pressa, O Cansaço e o O Ribeiro, o seu primo Nuno é actor e a sua prima Cristina actriz. Vive na Graça e todos os dias tem o privilégio de fazer o passeio a pé até ao seu local de trabalho, o Chapitô, e aprender com quem passa.
Vive sozinho mas não está sozinho. Tem mais familiares que muitas aldeias em Portugal e dão-se todos “lindamente”, afirma satisfeito. O Natal já foi celebrado com 500 pessoas à mesa, mas hoje já não há casas para tanta gente. No dia 25 de Dezembro há jantar de Natal abençoado pelas cantorias da mãe, “Agora acabou-se o profanismo, vamos cantar”, comenta.
Estudou na escola Avé Maria, em Lisboa, uma escola “betinha”, mas a teimosia e a energia levaram-no para o mundo das artes. À espera que a crise passe, continua a pintar na sua sala, dedicada à pintura, “onde posso lambusar tudo”, mas com o trabalho de relações públicas, sobra-lhe pouco tempo para a arte. Já fez 200 exposições e há 30 anos que o tem o nome no dicionário de artistas plásticos portugueses.
Diz que tem um estilo próprio, o Purismo. O campo e a natureza são os cenários de eleição. Entre fotografias ao acaso, vai colecionando na memória as árvores de que mais gosta para um dia pintar, mas na quinta da sua família, no Douro, é onde se sente pai da natureza. Os seus filhos são os cinquenta e cinco mil pés de vinhas que acompanha desde pequenino e a quem não precisa de pedir permissão para pintar.
Já pintou Lisboa, casas, pessoas, mas a sua paixão é o campo, nomeadamente as árvores de fruto. A última pintura que fez foi de um galho de uma árvore japonesa que está no Chapitô, de nome sophora japónica e é aí que se vai realizar a sua próxima exposição, ainda antes do Natal.
Pedro Homem de Mello é um homem concretizado e orgulhoso da pintura colorida que é sua vida.
