Somos todos iguais? Parece que a classe médica é diferente, e não é só porque estudam mais que os outros mas sim porque fazem uso do seu estatuto para faltarem ao respeito a quem precisa. E como precisa cala e come. São intermináveis as horas inutilmente utilizadas à espera dos Srs. Drs.
Para além das urgências ser um serviço normalmente demorado os Srs Drs ainda se dão ao luxo de ir almoçar, sem avisar. O doente que espere, à sede, à fome, com dores, como for…desde que não se vá embora, senão, perde a vez.
Nas várias visitas que faço ao IPO de Lisboa sou tristemente confrontada com situações como esta.
Outra que me irrita particularmente é a forma como esta comunidade, nomeadamente enfermeiros e administrativos, fala com os pacientes. O doente está doente mas não virou atrasadinho mental, nem voltou a ser criança. É certo que há doentes que precisam de apoio especial, casos mais graves, pessoas mais idosas. Mas como em tudo, não se aplica a mesma teoria a todos os casos. Isto é, se a pessoa está aparentemente bem e consegue ter uma conversa normal e consciente, há alguma necessidade de falarem com ela como se fosse atrasada mental?
Sugestão: e que tal irmos almoçar todos à hora de almoço? Ninguém esperar por ninguém? Termos respeito uns pelos outros, por todos, de forma indiferenciada? E facílimo!
Das duas uma, ou vamos todos almoçar, ou se não é para ir almoçar, então haja uma alma doutora que preencha o turno do Doutor mais esfomeado.
Agora assim não dá!
Ou então, façam como os restaurantes do mercado da Ribeira, que dão uma espécie de ovni/ disco voador que apita quando chega a nossa vez ou algo do género, e de preferência com um maior raio de acção. Assim já podemos todos ir à nossa vida enquanto os Srs Drs almoçam, os Srs enfermeiros põem a conversa em dia e as meninas administrativas procuram os processos, como que uma espécie de “agulha num palheiro”.
Parece-me que assim éramos todos mais felizes! A classe médica que, como bem sei, não faltam todos ao respeito dos seus doentes, os enfermeiros que não são todos mal educados e indisponíveis, bem como os doentes que por ali passam não são todos atrasados mentais. Mas como são todos tratados de igual forma, sinto-me no direito de também vos tratar a vocês, Srs Drs. e Companhia como se fossem um só ou uma só classe que se acha super hiper mega diferente de um ser humano normal.
“Este é só mais um grito de revolta, onde obviamente não se encaixam algumas excepções, ou pelo menos uma que é do meu conhecimento. Dr António Guimarães, obrigado por gostar de ser diferente e por isso, ser exemplar!”
Resumindo e concluindo, nove horas no hospital e sem agulha ou melhor, processo!

